Mágoa e perdão

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Carregar mágoas é como andar por aí com uma cesta cheia de frutas podres.
Na vida, recebemos várias alegrias, conseguimos grandes vitórias, vencemos algumas vezes, perdemos outras. Vamos imaginar que todas essas alegrias, vitórias, ganhos e perdas sejam frutas, que vão se acumulando na grande cesta da sua vida.
Mas nem sempre recebemos frutas bonitas da vida não é mesmo? Às vezes as pessoas são más conosco. Às vezes nos passam para trás, nos magoam, nos roubam a confiança, nos apunhalam pelas costas, nos traem. É verdade, nem sempre olharemos para nossa cesta da vida e veremos apenas frutas lindas e suculentas, saudáveis e apetitosas, também existirão lá frutas podres, malcheirosas e repulsivas.
Acontece.
Viver não é fácil, às vezes ganhamos frutas podres, às vezes também damos frutas podres e vamos caminhando na eterna trilha rumo à evolução.
Já repararam como nós, seremos humanos, adoramos mostrar para as pessoas as nossas frutas podres e tendemos a esconder nossas frutas suculentas?
Quantas vezes já ouvi pessoas dizerem para não contarmos nossas conquistas, porque pessoas invejosas poderiam nos querer mal por isso. Quantas pessoas não tem medo de se mostrar vencedoras? Quantas não escondem suas boas frutas?
O mesmo não acontece com nossas frutas podres… Já repaparam? Quando sofremos alguma desilusão, ou quando alguém nos faz algum mal, imediatamente mostramos a todo mundo nossa frustração. Pegamos nossa cesta de frutas e saímos por aí mostrando as frutas estragadas a qualquer pessoa, e às vezes fazemos isso até com certo orgulho, já notaram?
Não é raro encontrar pessoas que dizem:
- Você não sabe o que eu passei!
- Você não imagina o quanto eu sofro!
- você não sabe o que fulano fez para mim….
E dali a pouco estamos mostrando, orgulhosos, nossas agruras e desilusões, e quanto mais pesada for a cesta, mais a mostramos, e exibimos aqueles sentimentos malcheirosos e asquerosos para todo mundo, para que todos vejam o quanto sofremos, o quanto somos merecedores de compaixão, de amor e carinho, afinal, como alguém que carrega tantas desilusões não seria alguém merecedor de todo o conforto e amor dos demais?
Quando alguém olha a cesta cheia de frutas podres e diz: “nossa! Por que você não se livra disso?” nossa reação é imediata: “livrar? Nunca! Quem me deu essas frutas tem que pagar pelo que fez! Eu nunca vou esquecer quem me deu essas frutas podres, um dia, ela há de pagar por isso!” e nos agarramos febrilmente àquelas frutas nojentas, como o Gollum, personagem da saga O senhor nos anéis, figura disforme e horrível, agarrada ao “seu precioso” anel, afundada na ignorância e nas trevas.
Por que não tiramos aquelas frutas podres da nossa cesta de frutas da vida?
Com o tempo, as frutas podres vão apodrecendo todas as frutas boas, saudáveis e suculentas, e quando isso acontece, ainda culpamos o outro por ter colocado as frutas lá, sem nos darmos conta que bastaria tão somente, tirar as frutas do cesto.
Quando alguém nos magoa, com o tempo, a dor daquela mágoa pode se tornar tão forte que vai corroendo toda a nossa alegria, amor, carinhos, felicidades. A Luz na nossa vida vira treva, vira escuro. Mágoa é como um buraco negro que tudo consome.
Seria mais fácil, simplesmente não se agarrar à magoa, não é mesmo?
Sim, eu sei que falar é bem mais fácil que fazer. Que só quem sofre uma desilusão sabe o quanto é difícil se levantar, que o desejo de fazer quem nos fez sofrer também é muito forte, irresistível. Mas no fim das contas, só o que estamos fazendo é nos agarrando às “nossas precisas” frutas podres, às nossas preciosas mágoas. Quem está indo para o escuro somos nós por aceitar as magoas. Porque na verdade, mágoas são como presentes de mau gosto. Você não é obrigado a ficar com ele, pode sim, joga-lo fora, por que não?
E se, ao invés de sair pelo mundo mostrando nossas mágoas e desafetos, começássemos a mostrar nossas conquistas, alegrias e vitórias? Por que não começamos a praticar jogar fora todas as mágoas da nossa vida?
Por que não?…

Como não amar Jorge Amado? parte II

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Antes que mestre Manuel e Maria Clara, terminada a amarração do saveiro, fossem cuidar do transporte da imagem, a santa saiu do andor, deu um passo adiante, ajeitou as pregas do manto e se mandou.

Num maneio de ancas, santa Bárbara, a do Trovão, passou entre mestre Manuel e Maria Clara e para eles sorriu, sorriso afetuoso e cúmplice. A ebomin colocou as mãos abertas diante do peito num gesto ritual e disse: Eparrei Oyá! Ao cruzar com o padre e a freira, fez um aceno gentil para a freira, piscou o olho para o padre.

Lá se foi santa Bárbara, a do trovão, subindo a Rampa do Mercado, andando para os lados do Elevador Lacerda. Levava certa pressa, pois a noite se aproximava e já era passada a hora do padê. Também o negro bem-posto se inclinou ao vê-la, tocou o chão com os dedos, depois levou à testa e repetiu: Eparrei! O negro era camafeu de Oxóssi, obá de Xangô, barraqueiro do mercado, solista de berimbau, outrora presidente do Afoxé Filhos de Gandhi, e nem ele próprio sabia se ali se encontrava por acaso ou por obra da graça dos encantados. Antes que as luzes se acendessem nos postes, Yansâ sumiu no meio do povo.

* Trecho retirado do livro “O Sumiço da Santa”  de 1988.

 

Como não amar Jorge Amado?

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O texto a seguir foi extraído do livro “Suor” de Jorge Amado.

“Henrique lembrava-se também, com a voz entrecortada de gargalhadas sonoras e gostosas, da primeira vez que vira uma negra mijar.
O fato ficou-lhe na memória graças ao seu pitoresco. Um dia, discutiam sobre a conformação das pessoas. Nascera uma irmãzinha de José Gogó e eles tinham ido à casa em festa visitar a criança. Olharam bem para as partes vergonhentas dela e, juntando o que haviam visto com as conversas ouvidas de molecotes mais velhos, ficaram de perfeito acordo quanto à diferença entre o homem e a mulher. Restava saber como a mulher mijava. Discutiram uns quatro dias, sem chegar a uma conclusão satisfatória. Finalmente, um dia, foram espirar as pretas que mijavam no areal, Henrique, Baldo e o mulato Jesuíno. A vítima escolhida foi um velha maluca que pedia esmola cantando. Acompanharam-na um bocado pelas ruas e ladeiras. Ela cantava mistura de rezas e canções picantes. Afinal, após uma enorme caminhada, dirigiu-se para o areal. Eles atrás. A velha chegou e a primeira coisa que fez foi cheirar o chão. Depois traçou, com o dedo, um círculo e dançou em volta. Eles espioavam escondidos, amedrontados. A velha suspendeu primeiro o vestido, sem parar de dançar. Em seguida, suspendeu a camisa e, com enorme cerimonial (parecia até missa cantada), dando três passos para frente e dois para trás, colocou-se no meio do circulo. Parou então de cantar. Ouviram um ruído e viram o jato d’água. Terminada a operação, a velha retirou-se em silencio e os molecotes de precipitaram para o lugar do sacrifício. Ficaram bestas. O circulo rodeava geometricamente a água malcheirosa. Nem um pingo fora. Observaram tudo cuidadosamente e foram procurar os companheiros. Seriamente, Henrique nunca discutiu tanto quanto naquele dia. Surgiram versões inúmeras sobre o caso. Por que as mulheres mijavam dentro de um circulo após cantar e dançar?
Acabaram por aceitar a opinião do Baldo:
- Se elas não fizerem isso, o diabo entra no corpo delas. Assim, o diabo fica preso na roda e elas mijam encima dele.
Ficaram doidos para ver outra mulher mijar. Viviam escondidos atrás do areal. Finalmente uma pretinha veio e mijou sem cantar e sem rezar. Baldo explicou que aquela já tinha o diabo no corpo. A explicação não valeu porque as outras que seguiram a pretinha também não dançavam. Estavam desapontados, mas veio um homem e uma mulher e, em vez de mijarem como todo mundo, mijaram embolados, gemendo. Aí o mistério os dominou de novo e ficaram viciados no areal.”

Viver cada dia como se fosse o último

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Temos que viver cada dia como se fosse o último.

 

Eu não sei se gosto dessa filosofia.

Viver todos os dias como se fosse o último, fica aquela impressão que não precisamos fazer planos, que não vamos envelhecer, que o tempo não vai passar.

E aí um dia você olha no espelho e fica assustado com as linhas de tempo que aparecem no seu rosto. Você envelheceu, e agora?

O fato é que a vida cobra.

E chega um momento que ela para de dar e começa a tirar.

Bebeu além da conta em festas e mais festas com os amigos? O fígado vai cobrar.

Comeu tudo que quis, do bom e do melhor? O colesterol, triglicérides, diabetes vão deixar o boleto de pagamento também.

Comprou tudo que quis, viajou, gastou despreocupadamente? A velhice custa bem caro.

Não cultivou boas amizades, praticou caridade, esteve lá para o próximo? A probabilidade de não ter ninguém para você na velhice é bem grande.

Não quero dizer com isso que não se deve aproveitar os momentos do presente porque tem que se preocupar com o futuro, de jeito nenhum.

Mas existe um futuro, e acho que é importante também, pensar que ele vai chegar, afinal, não é o natural que as pessoas morram de velhinhas? E que tipo de velhinho você quer ser? Aquele pobre coitado sem amigos nem parentes que reclama numa cama suja de um asilo?

Aquele velho rabujento que fura a bola das crianças que cai no seu quintal ou vive dedurando seus vizinhos nas reuniões de condomínio e que não tem amigo nenhum?

Aquele velho que só tem fotografias para lembrar dos filhos e dos netos, porque ninguém vem te visitar?

Aquele que depende de amparo da previdência social de um salário mínimo?

Ou você quer ser um velhinho pleno e feliz, cheio de grandes realizações e um mundo de amigos amorosos que fazem o seu dia cheio de realizações?

Viver plenamente todos os dias da sua vida, sim! Viver como se fosse o ultimo, não concordo.

Parte de viver é saber planejar os passos do futuro, entender que todos os atos, por menor que sejam, geram alguma consequência, seja boa ou ruim, cultivar e apreciar os momentos felizes, praticar o bem, celebrar as amizades e a família, enfim, cuidar bem do seu corpo e mente também é viver a vida em plenitude.

Viva sua vida como se ela fosse durar muito! E aproveite cada bom momento dela.

Se a vida te der um limão…

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Se a vida te der um limão, faça uma limonada.

Eu ouvi essa frase a vida inteira, mas nunca entendi o real significado dela.

A vida me dar limão, como se a “vida” saísse por aí dando alguma coisa. Quem me dá coisas são as pessoas! Meus amigos, irmãos, pais, parentes… Esses sim são capazes de me dar alguma coisa. A vida dar coisas, parecia muito distante e subjetivo, fora do meu alcance, mas sim, se um dia ela me desse limão, eu faria uma limonada, ou uma capirinha, dependendo do dia.

Hoje, acredito que esse “a vida” são todos aqueles acontecimentos que vão se acumulando enquanto vamos vivendo:

- Aquela professora infeliz que deu um zero na prova de matemática.

- Aquele amigo idiota que passou a perna no jogo.

- Aquela amiga da onça que roubou seu namorado.

- A mãe que não amou direito.

- O pai que não apoiou.

- Aquela pessoa que magoou…

A lista é infinita de coisas que a vida te deu ou não, que vão marcando sua alma, criando uma carapaça de ressentimentos e desassossegos.

E os presentes da vida vão se acumulando, alguns ótimos é verdade, mas alguns tão ruins que, quando guardados, mofam e fedem, e o mal cheiro ecoa por todo canto, fazendo as pessoas até se afastarem.

Se você ganhar um limão, livre-se logo dele, para não acabar com uma geladeira cheia de limões podres.

Quantas vezes não ouvimos alguém justificar sua vida pelas ações que outras pessoas fizeram com elas.

É assim porque não teve oportunidade

Porque a mãe batia

Porque o pai era alcoólatra

Porque a família só ligava para o irmão mais novo.

Porque nasceu na favela

Porque nasceu em berço de ouro…

A lista é infinita de desculpas para justificar por que a pessoa sente mágoa, ou não consegue perdoar, ou não esquece algum desagravo.

- Viu só o que Fulano fez comigo?

Essa pergunta eu ouço sempre. Mas acredito que seja a pergunta errada. O certo seria:

- Viu só o que eu fiz da minha vida, mesmo recebendo tão pouco?

Independente da forma como a pessoa foi criada, das oportunidades que teve, dos limões que recebeu, ela tem escolha:

Pode escolher deixar os limões mofando na cesta de frutas e usá-los para mostrar a todo mundo por que sua vida foi sem propósito,  justamente porque é impossível ser feliz apenas com limões velhos que te deram.

Pode escolher fazer deliciosas tortinhas de limão e sair vendendo por aí, prosperar e criar várias franquias.

Quando alguém te magoar, você pode escolher guardar essa mágoa para sempre, usando como desculpa para não fazer mais nada na sua vida.

Ou pode descartar essa mágoa, porque você não precisa guardar tudo que te dão.

A escolha é sempre sua.

Na era do e-book…

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- Menina do céu! Acabei de ler um livro ma-ra-vi-lho-so! Chama-se O Melhor Livro Já Escrito De Todos Os Tempos.

- Nossa! O nome já diz tudo! É bom mesmo?

- O melhor! Ri tanto no inicio, me emocionei tanto no meio e chorei tanto no final… É lindo!

- Uau! Quero ler também!

- Ta com seu leitor aí? Se tiver espaço eu já te passo agora!

- Jura!? Que bom! Eu to sem nada para ler mesmo. Me passa aí.

A amiga pegou seu leitor digital e esperou a outra procurar o arquivo com o livro.

A outra encontrou, mas quando acionou o botão de bluetooth e abriu o arquivo, uma sirene estridente começou a tocar no seu leitor.

- Nossa! O que será isso? – Perguntou, meio desconcertada, quando notou que a sala de aula estava em silencio e todos os alunos olhavam para ela.

Não demorou para, além da sirene, uma voz metálica começar a gritar de dentro do aparelho:

- ATENÇÃO! ESSE LIVRO ESTÁ SENDO PIRATEADO! LIGUEM AGORA NO SERVIÇO DE PROTEÇÃO ÀS EDITORAS E DENUNCIEM A USUÁRIA FULANA DA SILVA, PORTADORA DO LEITOR NUMERO 28961541.

E a mensagem foi repetida e repetida.

Os demais alunos a olhavam com desconfiança. Alguns cochichavam, outros riam.

- Mas eu não estava pirateando nada! Só ia emprestar o livro pra minha amiga aqui ó!

E o aparelho continuava a gritar a mensagem. Ela, envergonhada, tentava a todo custo desligá-lo.

De repente um par de algemas saiu o aparelho e a imobilizou, para surpresa geral da sala de aula, que nunca tinha visto alguém ser algemado por seu aparelho eletrônico antes.

Poucos segundos depois as janelas da sala de aula explodiram e uma equipe uniformizada entrou por cordas direto do telhado da escola para a sala de aula.

Rapidamente localizaram a pirata algemada e chorando.

- Eu não fiz nada! Só ia emprestar o livro para minha amiga…

Ela nem teve tempo de concluir a frase. Um dos uniformizados a prendeu numa rede e a arrastou da sala, fazendo-a desaparecer pela janela de vidro estraçalhado em direção ao telhado. Todos na sala de aula correram para a janela a tempo de ver o helicóptero desaparecendo por entre as nuvens.

O leitor de livros se autodestruiu.

A menina nunca mais foi vista.

Fé, Amor e Milagre

Estava eu assistindo ao programa da Ana Maria Braga, numa dessas manhãs de convalescência, quando ela apresentou um programa sobre a água, e suas energias.

Água benta é mesmo benta?

E mostrou um estudo científico comprovando que a água muda conforme a energia vibratória que recebe.

O pesquisador fotografou a molécula da água em seu estado natural, digamos assim.

Depois fotografou a molécula de água que recebeu energias de amor e compreensão, ela tinha se transformado.

Num terceiro momento, fotografou a molécula de água que havia recebido vibrações de ódio e rancor, novamente, a água havia se transformado.

Para mim, foi provado cientificamente, a existência da fé e o poder energizante das vibrações boas ou ruins.

Mas também de certa forma, valida o que Jesus falava muitos anos no passado: que qualquer um pode fazer milagres.

Quantas vezes, no cotidiano, fizemos algum milagrezinho, apenas transmitindo amor e carinho a alguém, e nem nos demos conta.

Uma mãe, ao oferecer seu peito cheio de leite, ou ao preparar um chá ou suco, ou mesmo ao oferecer água ao seu bebê, não o faz cheia de amor?

E o que dizer daquela sopinha que um dia já fizemos a alguém que amamos, não colocamos ali nossas melhores vibrações de melhora ao ente querido?

Aquele abraço gostoso que às vezes damos ou recebemos, cheio de carinho e energia boa, que quando a gente dá ou recebe, parece que muda o dia… Não estaria ali uma centelha da energia curadora que Jesus disse que todos tínhamos?

Se vibrações de amor são capazes de transformar moléculas de água, imagina o que ela não é capaz de fazer em todos os momentos da vida de alguém, beneficiando ela mesma e todos a sua volta.

Acredito que ninguém tenha dúvida que as energias existem e se movimentam. Tudo que sentimos de alguma forma retorna para nós mesmos. Ódio atrai ódio, pobreza atrai pobreza, assim como o oposto também ocorre sempre: amor atrai mais amor, riqueza atrai muito mais riqueza, risos atraem mais risos e tudo se torna felicidade.

De hoje em diante, vou experimentar colocar amor nas coisas que faço. Seja num mero texto num blog, seja (e principalmente) na hora de preparar algum alimento. Fazer isso conscientemente, mentalizando bons pensamentos, carinho, afeto, amor.

E quem sabe, se todos nós treinássemos pensar amorosamente, esses pensamentos não virariam uma constante e seriam tão naturais que não precisaríamos mais pensar, eles vibrariam junto conosco de maneira natural e assim, estaríamos comprovando um dos mais antigos ensinamentos bíblicos: o amor opera milagres e qualquer um é capaz de fazê-lo.

Dia da Mulher

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Todo ano, nesse dia, eu ouço (principalmente dos homens) que comemorar o dia da mulher é discriminá-la perante a sociedade.

É um pensamento interessante, se for pensar.

O único dia do ano que a mulher tem para refletir seu papel na sociedade é discriminá-la.

Mas não é um dia específico que discrimina a mulher, é o dia-a-dia.

A editora que publicou os livros de J.K.Howling, preferiu lançar o livro com o nome abreviado e sem fotos da autora porque, segundo eles, os meninos não iriam ler o livro se soubessem que havia sido uma mulher que escreveu.

E por falar em escrever, mulheres são reconhecidas como escritoras quando a imprensa entende que ela começou a “escrever como um homem”.

Mulher precisa trabalhar três vezes melhor que um homem para conseguir ganhar o mesmo salário, e quando isso acontece, o comentário geral é que o chefe a está comendo.

No meu prédio, quando as crianças arrumam encrenca no condomínio, se a mãe é divorciada, o sindico resolve o problema brigando com a própria criança ou simplesmente mandando multas e advertências, se não, ele vai lá no apartamento da criança e conversa com o pai.

Mulher não pode andar com a roupa que quiser, sem que isso signifique que ela não presta.

Mulher não pode andar sozinha a noite em determinados bairros ou ruas.

O machismo em nossa sociedade é tão grande, que a maioria das pessoas – homens e mulheres – nem reconhecem que esses fatos que eu descrevi são machismo.

E nós mulheres temos que aprender a conviver com isso, infelizmente.

E hoje é um bom dia para pensar se um dia nós iremos mesmo irradicar o machismo da nossa cultura.

Será que um dia homens e mulheres se olharão e se virão como pessoas iguais?

E aqui entra a segunda distorção: quando mulher diz que quer direito igual, não raro aparecer um homem que diz: ”Quer direito igual? Então paga a conta!” uma outra forma de distorcer o que é ser tratada com o mesmo respeito civil que os homens são.

Direito de se vestir do jeito que quiser, sem que isso signifique que se ela o assim faz, merece – e até pediu para – ser estuprada.

Direito de concorrer em nível de igualdade com um homem em qualquer área, sem que para isso ela tenha que se esforçar o triplo.

Direito de receber o mesmo salário, para desempenhar as mesmas funções que um homem.

Direito de fazer tudo isso sem perder suas características femininas sim! Por que não? Mulher não tem que ser homem, para merecer o mesmo salário, o mesmo reconhecimento, os mesmos direitos.

Ela tem sim, que continuar sendo mulher, amorosa, carinhosa, educadora, encantadora e cheirosa. E MESMO ASSIM, ser reconhecida por um trabalho bem feito, ser premiada por um grande feito, estar em vidência em sua área de atuação.

Hoje é dia da mulher.

Mulher que amamenta, que luta, que lava roupa, que corre atrás do seu lugar na sociedade.

Mulher que merece todas as honrarias.

Realidade, percepção e muita maionese

Eu uso o transporte público para ir e voltar do trabalho.

Ontem peguei o ônibus e uma mulher estava sentada do lado do corredor, sobrando o lado da janela vago, me aproximei e percebi que ela havia colocado um guarda-chuva no lugar vago, e perguntei, educadamente e com calma, se ela estava reservando o lugar para alguém.

- Estou, para minha mãe!

O tom de voz que ela usou para dizer essa frase foi totalmente ameaçador, como se eu fosse uma ladra de lugares querendo expulsá-la de lá e obrigar sua pobre mãezinha a viajar em pé.

De onde tinha vindo tanta animosidade? Eu perguntei da forma mais tranqüila possível, fiz uma inocente pergunta apenas, por que ela me tratava tão mal, como se eu a estivesse provocando?

Não demorou muito, outra moça pediu licença para sentar no lugar vago e ela atacou novamente, gritando com a moça, que o lugar era da mãe dela.

A moça levou um susto com os gritos da outra.

Isso me fez pensar como a percepção das pessoas é diferente em relação ao que acontece à sua volta.

Ou melhor dizendo, será que as pessoas percebem o que acontece a sua volta? Ou o que ela vê é somente ela mesma refletida nos assuntos à sua volta?

Vou tentar explicar de forma diferente.

Quando eu estou em salvador, que é uma cidade que eu amo de paixão, eu sou uma pessoa diferente da pessoa que sou em São Paulo, minha terra. Isso porque, primeiro eu estou de férias, e em férias, nós tendemos a relaxar mais, e segundo porque lá eu posso ser mais tolerante, mais compreensiva e relevar um mundo de problemas porque dali uns dias, todos aqueles assuntos não me dirão mais respeito, eu terei voltado para São Paulo.

E então, meu olhar amoroso acaba se refletindo em tudo que eu faço quando estou em Salvador. E aí acontece algo muito peculiar: Como estou aberta e receptiva, carinhosa e compreensiva, isso reflete na forma como as pessoas me tratam. E eu fico com a  sensação que todas as pessoas em Salvador são amorosas, carinhosas e gentis.

Elas realmente são? Ou o que eu vejo é apenas eu mesma refletida nelas?

A mesma coisa parece ter acontecido com a mulher do ônibus. Ela estava tão irada com sabe-se lá o quê, qualquer pessoa que dela se aproximasse a estava julgando por segurar dois lugares no ônibus, e a estavam achando a maior folgada do mundo então, ela já atacava qualquer um, como se fossem carrascos prontos para abatê-la.

Tanto no meu caso de olhar apaixonado, como no da moça do ônibus, com olhar raivoso, as duas estão olhando para as pessoas como a forma que estão sentindo naquele momento e reagindo como uma resposta a esse sentimento.

Isso me fez pensar se não é assim em todos os aspectos da nossa vida.

Olhamos para o parceiro com aquele olhar apaixonado e vemos nossa paixão refletida nele, sem que isso tenha a ver, necessariamente, com o que o parceiro sente.

Olhamos para nosso chefe no trabalho com aquele olhar de exploração e aí qualquer coisinha que ele fala só reforça nosso sentimento de que estamos sendo explorados. Estamos mesmo? Ou só estamos vendo o nosso reflexo no outro?

E se assim for, se o que vemos é apenas nós mesmos refletindo no outro, o que é real? Quando conseguimos ver além de nós mesmos?

Vida – Morte

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É difícil não pensar em morte quando se está num hospital.

Talvez porque seja o assunto proibido. Não falamos de morte, só quando é absolutamente necessário.

Mas se pensarmos bem, é a morte que dá sentido à vida.

O que aconteceria se ninguém nunca morresse?

Os dias iam passar e passar e as coisas não teriam tanto sentido. “Correr atrás” pra quê? Grandes feitos, com que propósito?

Saber que a vida é curta, que a qualquer momento ela pode terminar, faz todas as demais coisas ganharem importância.

É no leito de morte, ou na iminência da morte que damos a valor aos pequenos prazeres da vida, que perdoamos os desafetos, que confessamos nossas falhas e pedimos absolvição. Faríamos isso se nunca fossemos morrer?

A morte dá cor à vida. Humaniza as pessoas.

Não é estranho pensar que é justamente a morte quem valoriza a vida?

É um pensamento meio louco, concordo.

Eu não tenho medo de morrer – tenho medo sim, da forma como vou morrer. E tenho medo, também, de morrer antes de ter vivido tudo que eu quero viver.

Viver até ver meus netos terem netos…

Até não ver mais graça no por do sol.

Até não sentir mais amor por nada nem ninguém.

Porque no dia que eu for incapaz de me emocionar com os milagres diários e a magia da vida, é hora da morte me levar.

Eu sei, falar de morte de dentro de um hospital é mau agouro.

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